sábado, 1 de agosto de 2009

Nem tudo precisa de um título

Eu queria ter mais maturidade para conseguir estudar e não pensar em nada...mas meu pensamento volta e meia voa longe enquanto eu estudo.
Meus pais reclamam se eu fico muito tempo trancada no quarto estudando mas quando paro para ficar um pouco na companhia deles eles me julgam,ou julgam meus amigos.
Ultimamente eu tenho me sentido um móvel aqui em casa.Aquele móvel feio que não combina com nada mas que continua ali por consideração a quem deu.
Minha mãe continua a mesma pessoa doce de sempre,bondosa como sempre.Sempre disposta a ouvir e acreditar nos outros apesar dos tais julgamentos.Mas meu pai...tá cada vez mais diferente do que eu imaginava que ele era.
Meu pai sempre foi meu herói,sempre achei ele o cara mais justo do mundo.Mas agora vejo como ele é machista e do que ele é capaz de passar por cima por causa de sua vaidade.Ironicamente,noto essas coisas às vesperas do dia dos pais...
É engraçado quantas impressões ruins estou tendo dos homens nesses ultimos meses,o que me faz pensar que não estou perdendo nada demais enquanto me tranco para estudar no meu quarto.Os livros me acrescentam.E os homens?
Todos os que me querem,me querem como amante ou para pura "degustação" e não tem pudor algum para falar isso.Como as pessoas confundem as coisas...
De repente passei a entender as freiras e solteiras balzaquianas.
Eu não seria capaz de amar uma mulher porque elas não me despertam desejo algum mas ganharam o meu respeito também as lésbicas.
É engraçado meu pai ser tão duro comigo,logo ele que foi tão parecido comigo na juventude.A vida é mesmo muito engraçada.
Ele age como se eu só quisesse me aproveitar do dinheiro dele enquanto eu sempre me mantive com o mínimo e minha criatividade ele nem nota.
Ele humilha a mim e minha mãe por causa de dinheiro e eu me pergunto se a culpa é dele ou do dinheiro.
Eu não aguento mais essa situação e não quero ver tudo de bom que me foi apresentado como família esfarelar até virar pó.
Eu preciso conquistar minha independência antes que ele faça algo que eu não seja capaz de perdoar.
Minha mãe disse que ele estava sentindo que ninguém mais estava amando ele e eu achei aquilo absurdo e a perguntei como ele podia sentir isso e porque já que a gente o amava tanto.Ela disse que a gente não pode só "querer" ser amado e que as vezes a gente tem que rever nossas atitudes para saber porque as coisas estão diferentes.Eu achei frieza dela e naquele dia fui dar um abraço apertado no meu pai e dizê-lo como eu o amava e que era pra sempre.Ele foi doce comigo e de repente toda magoa que eu guardava dele passou.Mas no dia seguinte,ele estava do mesmo jeito.Foi quando o que minha mãe falou enfim fez sentido para mim.E lembrei daquele frasezinha do orkut:
"Quer ser amado,seja amável".